nos túneis…

Caminhar a rua,
vontade mais de engatinhar
altas árvores cinzentas
se fecham
quase más.

Sem sol
só a mortidão do piche
e o falso conforto
do meio fio.

Caminho
desce e desce mais
cava túneis
na escultura da cidade.

Rua escura
no coração da cidade
no meio do povo
no meio do dia.

Publicado em Literatura, Minhas fumaças, Verso | Deixe um comentário

Voltarei…

Vou já, saindo agora
quem sabe mais tarde
passo por lá
trânsito do cacete.

Nem fui,
metro lotado
busão quebrado
vou na próxima.

Agora eu vô
“aluga um barco
que cai o mundo”
chego amanhã

Fui, to lá
se for o mesmo drama
volto
semana que vem.

Publicado em Minhas fumaças, Verso | Deixe um comentário

Quero minha cama, meu travesseiro, minha casa.
Meu espelho, minha mesa, meu carpete.

E dizem que dá pra viver viajando…

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Consequências

“Amo alguem que não me ama”

Isso já foi verdade, verdade que se repete ciclicamente… odeio esses rodeios todos.

Quantas vezes vai se repetir antes de acabar? Quantos terremotos antes da calmaria?
Grande engano
Consequências?
Só aquilo que não consigo prever.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

De papel

E lá o barquinho ia
água sujeira rato
Vida pelo ralo
com o azedo do dia

Sonho da criançada
piloto astronauta
mendigo na esquina
um mijo na calçada

Comédia diária
pega-pega ta com você
polícia vira bandido
bandido é chefão

Vida sem jeito mesmo
boneco de papel
se joga do balcão

Publicado em Literatura, Minhas fumaças, Verso | 1 Comentário

Vai um defunto ai?

O que fazer para o último final de semana desse excepcional período de férias?

Recomendo (muito) o filme “A Partida”, dirigido por Yojiro Takita. O filme japonês (repararam no nome, não?) já ganhou diversos prêmios, inclusive o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e realmente surpreende pela serenidade da história.

Tudo começa quando Daigo (Masahiro Motoki), que ganha a vida como violoncelista em Tóquio, recebe com um baque a dissolução da orquestra em que tocava. Com a virada, Daigo acaba abandonando o sonho de ser músico, cultivado desde criança e iniciado com uma imposição do pai, e se muda para sua cidade natal com sua esposa Mika (Ryoko Hirosue). Lá ele encontra restos da vida de que fugiu por quase 30 anos. À procura de emprego, acaba, inadvertidamente, aceitando um emprego de “preparador de corpos” para o crematório.

O personagem, angustiado, tem que lidar com vários problemas, desde o desprezo dos amigos e conhecidos por sua profissão, as memórias do pai que o abandonou e a incerteza sobre os rumos de sua vida.

O curioso do filme é o ângulo pelo qual a morte é trabalhada. A função dos “preparadores de corpos”, antes feita pela própria família do falecido segundo a tradição, é de limpar e embelezar os corpos antes de serem cremados, mas a questão vai muito além da estética.
Os mortos são preparados assim (segundo o filme) para que os que ficam possam ter deles a última impressão de vida, decência e serenidade.
Daigo, que no início não consegue suportar tal visão, acaba encontrando um significado maior em seu trabalho quando percebe que o impacto de todo o ritual atinge, na verdade, os familiares e amigos do falecido mais do que ele poderia imaginar.

Se a história não parece valer a pena, há ainda a belíssima trilha sonora de Joe Hisaishi.
Para mais informações sobre a trilha sonora, dê uma passada no Vida Vinil.

Publicado em Cinema | 1 Comentário

Pessimismo

Esse tempo louco
dia ou outro
me enlouquece…

Publicado em Minhas fumaças, Verso | Deixe um comentário